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Parceria entre NEREA e Observatório Espeleológico promove treinamento vertical para expedição à caverna em São Paulo.

Por Fred Lott (Observatório Espeleológico) No dia 24 de setembro, uma equipe composta por sete espeleólogos realizou uma expedição para visita técnica à caverna de Santana em São Paulo. A expedição teve como alvo uma visita ao Salão Taquêupa, considerado um dos mais ornamentados do Brasil, e que tem visitação controlada pela Sociedade Brasileira de Espeleologia e pela Fundação Florestal de São Paulo. Apesar da caverna possuir um trecho aberto à visitação do grande público, o Salão Taquêupa tem visitação condicionada a autorizações e a visitação se restringe apenas a quatro pessoas por semestre. Nessa expedição em particular foi aberta uma exceção pois havia a necessidade de treinar novos guias. A expedição teve como objetivos a manutenção do sistema de cordas e ancoragens; treinamento dos guias e registros fotográficos. caverna-nerea

O Parque A caverna de Santana está localizada dentro dos limites do Parque Estadual Alto do Ribeira - PETAR. O mesmo está localizado a nordeste de Curituba e, para quem vai de carro, são 177 km percorridos em aproximadamente em 2:30; já em relação à capital paulista, o parque está a sudoeste e são necessárias cerca de 4:40 para vencer os 314 km de estradas. O PETAR foi criado em 1958 com a finalidade de preservar a Mata Atlântica remanescente na região e abrange os municípios de Iporanga e Apiaí, ambos no estado de São Paulo. O parque, com seus quase 36 mil hectares, constitui zona núcleo da Reserva da Biosfera, bem como faz parte das "Reservas de Mata Atlântica do Sudeste". Essas reservas foram elevadas a Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade em 1999 pela UNESCO e compreendem 25 áreas protegidas, distribuídas nos estados de São Paulo e Paraná, perfazendo um total de 470 mil hectares preservados - algo em torno de 1% da área dos dois estados. A Caverna Descrita pela primeira vez em 1909 pelo naturalista alemão Sigismund Ernst Richard Krone, a caverna de Santana tem 8,2 km de projeção horizontal sendo que apenas 495 metros estão abertos para visitação, conforme plano de manejo. Um dos lugares mais bonitos da caverna é o Salão Taquêupa, que foi descoberto em 1975, no último dia de um experimento de vigília-sono denominado operação Tatus, onde onze espeleólogos permaneceram por 15 dias confinados no interior da caverna. O nome "taquêupa" veio da exclamação proferida pelos descobridores ao se depararem com a beleza do salão. Segundo consta nos relatos verbais, o nome deriva de um popular e sonoro palavrão, decrescido da primeira e da última sílaba. caverna-nerea3 caverna-nerea4 caverna-nerea2

O salão é extremamente ornamentado com espeleotemas, que são depósitos químicos de minerais, sendo os mais conhecidos as estalactites e estalagmites. Entretanto os espeleotemas existentes nesse salão são de morfologias e pureza singulares. Os do tipo canudo de refresco juntamente com as helictites são os que mais retratam a exuberância desse salão. Os canudos são formações ocas que chegam a 3 metros de extensão por poucos centímetros de diâmetro. Essa característica os torna extremamente frágeis o que gera a necessidade desse salão ter a visitação controlada. Já as helictites são espeleotemas excêntricos que chamam a atenção por não seguirem uma orientação gravitacional como os demais espeleotemas. Ostras formações raras como agulhas de aragonita, clava e a estrela também são encontradas no local. caverna-nerea7 caverna-nerea6 caverna-nerea5

A Expedição A equipe foi composta pelos espeleógolos Ulisses Junior, Carlos Grohmann, Robson Zampaulo, Xavier Prous, Alex Rodrigues, Allan Calux e Nivaldo Colzato (na ordem da foto, da esquerda para a direita).

caverna-nerea8 O relato oficial da expedição se inicia às 8:00 do sábado, quando a equipe entra na caverna para percorrer a galeria do rio Roncador por duas horas, até finalmente chegar ao ponto onde existe o primeiro trecho vertical. Uma escalada de 30 metros leva até o portão com cadeado que garante a segurança necessária do Salão Taquêupa. Após o portão tem início uma sequência de trechos verticais, iniciando com uma ascensão de 10 metros para o Salão da Cascata, seguindo de uma transposição horizontal no topo de uma fenda de 20 metros com auxílio de corrimão (semelhante a uma via ferrata) e finalizando com outro trecho vertical de 12 metros, agora descendo, chegando então ao Taquêupa. Devido aos trechos verticais, às paradas para fotografias e à manutenção do sistema de ancoragens e cordas, a equipe chegou ao salão apenas às 12:00. Entre períodos de descanso e fotografias, que em cavernas podem ser bastante demoradas, devido a longa exposição, a equipe permaneceu por 10 horas trabalhando nesse salão. caverna-nerea9

Às 22:00 horas a equipe subiu o primeiro trecho vertical para iniciar o retorno. No topo desse lance vertical há o conduto para saída e o acesso para um salão vizinho que se chama "Jardim de Alá". Esse salão, também na zona restrita da caverna, apesar de não tão famoso como o primeiro, possui formações impressionantes como chão de estrelas, travertinos, clava, vulcões e flores de aragonita. O acesso a esse salão também é feito por patamares laterais no alto de uma fenda. Os patamares estão a 50 metros do piso e a segurança é feita novamente por corrimão. Nesse salão também foram realizados registros fotográficos e o início da saída da caverna se deu por volta das 02:30 de domingo. O percurso do retorno é o mesmo e, após transpor os trechos verticais e o trajeto do rio, a equipe saiu da caverna às 4:30, 20 horas depois de iniciada a incursão à Caverna de Santana. O Treinamento Um dos requisitos para pleitear a autorização de visitação é a proficiência em técnicas verticais para espeleologia. Como no Brasil existe predominância de cavernas horizontais, por vezes os espeleólogos passam grandes temporadas sem treinamentos ou reciclagens. caverna-nerea10 caverna-nerea11

Foi justamente para preparar dois dos espeleólogos que iriam integrar a expedição, Xavier Prous e Robson Zampaulo, que o Observatório Espeleológico - OE, em parceria com a NEREA, ofereceu um treinamento de reciclagem de técnicas verticais para espeleologia. O treinamento teve carga horária de 9 horas, distribuídas em três dias de treinamento, onde foram praticadas as técnicas básicas envolvendo troca de equipamentos em altitude. O treinamento foi realizado no muro de escalada da loja Nerea.

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O Observatório Espeleológico - OE O OE é uma instituição de fomento à espeleologia, sem fim lucrativos, que tem como objetivo incentivar as atividades espelelógicas em suas diversas formas como a profissional, acadêmica, esportiva, turística e outras. Um dos pilares é o fomento a projetos de terceiros e para isso o OE possui algumas linhas de apoio. Para a expedição Taquêupa 2016, três delas foram ofertadas: apoio técnico com o fornecimento de um curso de nove horas; apoio material com o empréstimo de equipamentos que foram levados para a expedição; e apoio institucional, com o acionamento de nossa rede de parceiros, que viabilizou o espaço para treinamento. Parceria NEREA A Loja NEREA gentilmente cedeu seu espaço para os treinamento que ocorreram nos dias 06, 15 e 21 de setembro. Com uma proposta de loja conceito, os clientes podem experimentar os equipamentos no muro de escalada construído em seu interior. Foi justamente nesse muro que os treinamentos ocorreram (fotos acima). Agradecimento especial deve ser dado ao Nilton Nerea e ao Fred Castro que nos receberam de maneira excepcional. Para saber mais contate: contato@observatorioespeleologico.org.br


Comentários

abel alves dias
30/11/2016 18:23:54
que coisa linda esta caverna. tem uma na minha regiao que nunca foi visitada por um ser humano popis se encontra em um paredao de pedra 35m de altura


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